No final de semana eu li uma matéria onde "especialistas" afirmavam que o comércio brasileiro deixou de faturar R$ 55 bilhões no ano passado por causa dos 12 feriados nacionais que caíram em dias úteis. Embora economia nunca tenha sido minha praia, discordo totalmente desses dados. O fato do comércio estar fechado em um feriado não significa que as pessoas deixarão de consumir, elas apenas mudarão a data das compras. Quem precisa de um eletrodoméstico, um computador ou um sofá novo vai comprar. Se não for antes, setrá depois do feriado, pois um dia com a loja fechada não irá interferir na necessidade ou no desejo do consumidor.
Por outro lado, os feriados estimulam o consumo de alimentos e bebidas. Basta ir ao supermercado em véspera de feriado para constatar quantas pessoas estão abastecendo a dispensa para preparar aquele prato especial no dia de folga ou para receber os amigos em churrascos onde se comemora até sem motivos.
Outro ponto positivo dos feriados é que eles movimentam o setor de lazer, cultura e turismo e isso, consequentemente puxa o consumo de outros segmentos como vestuário (quem nunca comprou uma roupa nova pra ir a um passeio, evento ou fazer uma viagem?) e segurança entre outros. Resumindo, quem tem dinheiro e quer consumir vai fazer isso com ou sem feriado.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Falta de semancol
O prefeito de Sarandi, Milton Martini (PP), está por um fio de perder o mandato. A cidade está totalmente abandonada, existe uma grande pressão popular pedindo sua saída e em breve ele será julgado por uma comissão processante da Câmara que apura compras irregulares feitas por sua administração. Mesmo assim Martini parece nao se abalar. Prova disso é que ele acaba de mandar para a Câmara um projeto de lei prevendo reajuste no seu próprio salario, no salário do vice e dos secretários municipais. Só falta a lei ser aprovada...
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Carnaval
Nem ia tocar nesse assunto, até porque já sassou, mas acho que vale o registro: o carnaval 2010 foi o pior de todos os tempos em Mandaguari, e porque não dizer da região. Não estou culpando ninguém por isso. Pra mim o que aconteceu é reflexo de uma mudança cultural e a tendência é que em breve a festa de momo desaparecerá nas cidades do interior.
O que me chamou a atenção é que a noite da segunda-feira de carnaval estava mais parada do que a sexta-feira Santa. Rodei por Mandaguari e Jandaia e nessas duas cidades encontrei apenas dois locais abertos para comer alguma coisa e tomar uma cerveja. Em Jandaia somente o Gulas estava funcionando e aqui apenas a Kita's.
Não que eu pretendesse cair na folia, mas me deu saudade do tempo em que a coisa fervia por aqui no carnaval. Do tempo em que saíamos do clube às cinco da manhã e íamos na Patota comer a canja da Dona Zélia ou então esperávamos a padaria do Clóvis abrir pra comer o pão francês saído do forno com presunto e mussarela e, claro, tomar a saideira antes de ir pra casa dormir até às quatro da tarde pra começar tudo de novo. Eram cinco dias nesse ritmo. Tempo bom que não volta mais.
O que me chamou a atenção é que a noite da segunda-feira de carnaval estava mais parada do que a sexta-feira Santa. Rodei por Mandaguari e Jandaia e nessas duas cidades encontrei apenas dois locais abertos para comer alguma coisa e tomar uma cerveja. Em Jandaia somente o Gulas estava funcionando e aqui apenas a Kita's.
Não que eu pretendesse cair na folia, mas me deu saudade do tempo em que a coisa fervia por aqui no carnaval. Do tempo em que saíamos do clube às cinco da manhã e íamos na Patota comer a canja da Dona Zélia ou então esperávamos a padaria do Clóvis abrir pra comer o pão francês saído do forno com presunto e mussarela e, claro, tomar a saideira antes de ir pra casa dormir até às quatro da tarde pra começar tudo de novo. Eram cinco dias nesse ritmo. Tempo bom que não volta mais.
Boa notícia
Resolução que será tomada em breve pelo Tribunal Superior Eleitoral pode fazer com que o número de deputados do Paraná caia de 30 federais para 29 e 54 estaduais para 53. A redução é pequena, mas ao final de quatro anos os cofres públicos irão economizar uma grana significativa em salários, verbas de representação, regalias e outras coisinhas que esse povo costuma fazer.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Instituto Jesus de Nazaré
Visitei hoje o Instituto Jesus de Nazaré. A entidade, cuja sede fica no Jardim Progresso, atende crianças e adolescentes carentes ou em situação de risco, e é mantida pelas freiras da Congregação São João Batista. Ja tinha ouvido falar do trabalho que elas realizam, mas hoje tive a oportunidade de conversar com uma das responsáveis pelo instituto. Embora no momento em que estive lá nenhuma atividade estivesse sendo desenvolvida, fiquei impressionado com o esforço das freiras e dos voluntários para manter a entidade. Se o poder público olhasse com mais carinho para iniciativas como essa e mais pessoas tivessem essa mesma determinação em prol de uma causa social, em pouco tempo o Brasil teria uma nova cara.
É Brasil minha gente...
O marginal Ezequiel Toledo de Lima, que em 2007, participou do assalto que resultou na morte do garoto João Hélio Fernandes acaba de ganhar um grande presente da Justiça. Apenas para refrescar a memória, estou falando daquele caso ocorrido no Rio de Janeiro em que o garoto ficou preso ao cinto de segurança e foi arrastado por quilômetros durante a fuga dos bandidos.
Na época do crime Ezequiel era menor de idade. Enquanto seus comparsas foram condenados a 39 anos de prisão, o "dimenor" cumpriu uma medida sócio educativa. Agora, ao completar 18 anos, ganhou liberdade. Alegando que o rapaz está ameaçado de morte, um juiz determinou sua inclusão no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente. Com isso, Ezequiel e sua família ganham proteção da Justiça e, apoiados por uma ONG, foram levados para fora do país, onde ganharam casa para morar e novas identidades.
Só mesmo no Brasil pra acontecer uma coisa dessas. Será que algum dia um algum juiz ou alguma ONG se preocupou em visitar os pais da vítima pra ver se eles precisavam de apoio? Será que se a vítma fosse um parente desse juiz ele teria dado esse privilégio ao assassino? Também não dá pra aceitar o fato de uma pessoa matar um criança a sangue frio e por ser "dimenor" sair praticamente impune.
Recentemente num outro caso, se não me engano em São Paulo, um bandidinho saiu com sua gangue para comemorar o aniversário de 18 anos, que seria no dia seguinte. Durante um assalto para arrumar dinheiro para comprar drogas, ele tirou a vida de um rapaz. Como no momento do crime faltavam poucos minutos para a meia noite, a Justiça entendeu que ele não poderia ser condenado, por isso recebeu a tal "medida sócioeducativa".
Na minha opinião já passou da hora dos nossos nobres parlamentares esquecerem um pouco a corretagem de verbas públicas e votarem com urgência a redução da maioridade penal, caso contrário muitos João Hélios perderão a vida e milhões de Ezequieis continuarão roubando e matando e saindo impunes, zombando na cara da sociedade.
Na época do crime Ezequiel era menor de idade. Enquanto seus comparsas foram condenados a 39 anos de prisão, o "dimenor" cumpriu uma medida sócio educativa. Agora, ao completar 18 anos, ganhou liberdade. Alegando que o rapaz está ameaçado de morte, um juiz determinou sua inclusão no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente. Com isso, Ezequiel e sua família ganham proteção da Justiça e, apoiados por uma ONG, foram levados para fora do país, onde ganharam casa para morar e novas identidades.
Só mesmo no Brasil pra acontecer uma coisa dessas. Será que algum dia um algum juiz ou alguma ONG se preocupou em visitar os pais da vítima pra ver se eles precisavam de apoio? Será que se a vítma fosse um parente desse juiz ele teria dado esse privilégio ao assassino? Também não dá pra aceitar o fato de uma pessoa matar um criança a sangue frio e por ser "dimenor" sair praticamente impune.
Recentemente num outro caso, se não me engano em São Paulo, um bandidinho saiu com sua gangue para comemorar o aniversário de 18 anos, que seria no dia seguinte. Durante um assalto para arrumar dinheiro para comprar drogas, ele tirou a vida de um rapaz. Como no momento do crime faltavam poucos minutos para a meia noite, a Justiça entendeu que ele não poderia ser condenado, por isso recebeu a tal "medida sócioeducativa".
Na minha opinião já passou da hora dos nossos nobres parlamentares esquecerem um pouco a corretagem de verbas públicas e votarem com urgência a redução da maioridade penal, caso contrário muitos João Hélios perderão a vida e milhões de Ezequieis continuarão roubando e matando e saindo impunes, zombando na cara da sociedade.
Mandaguari Online
Apesar de não contar com nenhum profissional de jornalismo, o site Mandaguari Online vem dando um show de eficiência e imparcialidade na cobertura dos principais fatos que acontecem na cidade, principalmente no setor policial. Há um bom tempo tornou-se leitura obrigatória pra muitos moradores e ex-moradores que querem se manter por dentro dos acontecimentos da city.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Decoração com prazo de validade vencido
Perguntinha
Por quê será que no mensalão do PT não tivemos a mesma agilidade pra punir os corruptos como estamos vendo agora no caso do mensalão do DEM, em Brasília?????
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Matando o português (e o jornalismo)
Tá certo que a língua portuguesa é extremamente difícil, e se tornou ainda mais complexa depois da última reforma ortográfica. Eu mesmo volta e meia cometo alguns deslizes que depois me deixam envergonhado. Mas o que eu vi hoje em um jornal aqui da região foi uma verdadeira aberração. Pra começo de conversa o jornal não apresenta expediente e fornece um endereço de blog como sendo seu site. Nada de expediente com informações sobre razão social e localização da empresa, jornalista responsável, tiragem, etc. Mas isso ainda não é nada. O duro foi ler uma "matéria" de meia página sobre determinada prefeitura, onde claro, tinha a foto do prefeito. O texto não era assinado, foi escrito em primeira pessoa e a linguagem utilizada parecia mais com a de um relatório administrativo. Pelo menos publicaram cercado, o que indica que se tratava de uma publicação paga. Mas não é tudo. O segundo parágrafo era composto por uma única frase que continha "apenas" 101 palavras separadas, às vezes, por algumas vírgulas aplicadas de forma totalmente errada. Nessas horas a gente desanima da profissão. Não sei o que é pior, assessor de imprensa receber para produzir um lixo desses, ou o jornal aceitar publicar esse tipo de material . Não quero nem pensar na possibilidade de existir leitores que acreditam nesse tipo de publicação, porque aí vou acabar me enforcando num pé de cebolinha.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Sepultando a intelectualidade
Nos últimos dias a mídia regional publicou vários artigos e reportagens sobre o ex-prefeito de Maringá, Adriano Valente, que morreu recentemente vítima de câncer. Quase todos os que escreveram ou falaram sobre ele destacaram sua notável formação intelectual e humanística, em boa parte conquistada por meio das inúmeras leituras em sua biblioteca, considerada por muitos um verdadeiro tesouro.
Depois de ler as publicações em torno do ex-prefeito maringaense passei a refletir sobre quantas pessoas hoje em dia chegarão a esse nível de intelectualidade. Aqui em Mandaguari posso destacar algumas personalidades cujas características se assemelham à Adriano Valente. O advogado Waldemar Ferraz de Camargo, homenageado com o nome do recém inaugurado Fórum Eleitoral da Comarca, foi uma dessas pessoas. Embora tenha o conhecido apenas jogando sinuca aos sábados no bar ao lado da minha casa, sei que Dr. Waldemar era um estudioso incansável e exímio conhecedor do Direito. Ainda temos outros intelecutais mandaguarienses vivos, mas para não ser injusto ao esquecer de alguém prefiro não nominá-los.
O fato é que pessoas como essas estão em extinção, se é que posso usar esse termo. Se analisarmos os jovens com idade até 30 anos uma parcela ínfima se preocupa em ler um bom livro. Entre os adolescentes então a situação é ainda mais desanimadora. Dão enorme importância para coisas fúteis e se esquecem de alimentar o cérebro. Pior, não se preocupam nem em procurar saber o que está acontecendo à sua volta. Pra eles é mais simples usar o msn pra marcar um passeio no shopping com a galera, em seguida comer um fast food e depois curtir um sertanejo universitário na balada. Enquanto isso a intelectualidade vai sendo sepultada com as pessoas ou com os livros que empoeiram nas estantes por falta de leitores.
Depois de ler as publicações em torno do ex-prefeito maringaense passei a refletir sobre quantas pessoas hoje em dia chegarão a esse nível de intelectualidade. Aqui em Mandaguari posso destacar algumas personalidades cujas características se assemelham à Adriano Valente. O advogado Waldemar Ferraz de Camargo, homenageado com o nome do recém inaugurado Fórum Eleitoral da Comarca, foi uma dessas pessoas. Embora tenha o conhecido apenas jogando sinuca aos sábados no bar ao lado da minha casa, sei que Dr. Waldemar era um estudioso incansável e exímio conhecedor do Direito. Ainda temos outros intelecutais mandaguarienses vivos, mas para não ser injusto ao esquecer de alguém prefiro não nominá-los.
O fato é que pessoas como essas estão em extinção, se é que posso usar esse termo. Se analisarmos os jovens com idade até 30 anos uma parcela ínfima se preocupa em ler um bom livro. Entre os adolescentes então a situação é ainda mais desanimadora. Dão enorme importância para coisas fúteis e se esquecem de alimentar o cérebro. Pior, não se preocupam nem em procurar saber o que está acontecendo à sua volta. Pra eles é mais simples usar o msn pra marcar um passeio no shopping com a galera, em seguida comer um fast food e depois curtir um sertanejo universitário na balada. Enquanto isso a intelectualidade vai sendo sepultada com as pessoas ou com os livros que empoeiram nas estantes por falta de leitores.
Empresas familiares
Está programado para 25 de março, em Maringá, um congresso do Family Business Network (FBN). A entidade é formada por mais de três mil empresas de 45 países e tem o objeivo de, entre outras coisas, promover o desenvolvimento e a troca de experiências entre as empresas familiares visando preparar as futuras gerações para gerirem o negócio.
Acho esse tema bastante interessante. Não tenho em mãos os dados precisos, mas sei que no Brasil uma grande parte das empresas familiares fecha as portas quando uma nova geração assume o comando. Entre os fatores que contribuem para isso estão a falta de profissionalismo na gestão e a distribuição de funções não por competências, mas por grau de parentesco. Não que pessoas da família não devam assumir cargos importantes na empresa, pelo contrário. A questão é que antes de assumir uma função estratégica, a pessoa deve se preparar, estudar sobre a área, buscar conhecimento para desempenhar a função. Outro fator que prejudica principalmente as pequenas empresas familiares é confundir os recursos da empresa com recursos pessoais. Em muitas dessas empresas os proprietários sequer sabem quanto ganham. Ao invés de estabelecer um pro labore e adequar o padrão de vida àquela renda, retiram dinheiro diretamente do caixa da empresa conforme julgam necessário. Aí é questão de tempo paro o caixa entrar no vermelho e levar a empresa pro buraco.
Acho esse tema bastante interessante. Não tenho em mãos os dados precisos, mas sei que no Brasil uma grande parte das empresas familiares fecha as portas quando uma nova geração assume o comando. Entre os fatores que contribuem para isso estão a falta de profissionalismo na gestão e a distribuição de funções não por competências, mas por grau de parentesco. Não que pessoas da família não devam assumir cargos importantes na empresa, pelo contrário. A questão é que antes de assumir uma função estratégica, a pessoa deve se preparar, estudar sobre a área, buscar conhecimento para desempenhar a função. Outro fator que prejudica principalmente as pequenas empresas familiares é confundir os recursos da empresa com recursos pessoais. Em muitas dessas empresas os proprietários sequer sabem quanto ganham. Ao invés de estabelecer um pro labore e adequar o padrão de vida àquela renda, retiram dinheiro diretamente do caixa da empresa conforme julgam necessário. Aí é questão de tempo paro o caixa entrar no vermelho e levar a empresa pro buraco.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A imbecilidade da lei seca maringaense
Reproduzo aqui trechos do comentário que escrevi no blog do Marcelo Bulgarelli em 2008, quando foi aprovada a lei seca nas proximidades das faculdades e universidades de Maringá. A lei entrou em vigor ontem e a maior "contribuição" que trará vai ser o fechamento de estabelecimentos e o desemprego de muita gente.
"Me perdoem os reacionários e pseudo-moralistas, mas compartilho da idéia de que o bar próximo à faculdade representa uma extensão da sala de aula.
Durante os quatro anos que passamos no curso de Jornalismo o boteco na esquina da Faculdade Maringá foi tão importante para minha turma quanto o quadro negro e o xerox.
Impossível contar quantas vezes nos reunimos alí. Às vezes antes da aula, às vezes durante a aula, às vezes no intervalo e muitas vezes após a aula.
Naquelas mesas discutimos matérias vistas em sala, criticamos e elogiamos professores, compartilhamos nossa revolta com relação à certas atitudes da direção da faculdade. Discutimos política e religião. Falamos sobre sonhos e dramas pessoais. Manifestamos nossa apreensão com relação ao que encontraríamos pela frente depois da formatura, criamos projetos de trabalho, fizemos novos amigos e pudemos conhecer melhor os colegas com quem estudávamos.
Ninguém, absolutamente ninguém reprovou, deixou de pagar a faculdade ou não se tornou um bom profissional por culpa da cerveja no bar da esquina.
Agora lamentavelmente surgem alguns "legisladores" que provavelmente não passaram por tudo isso e não sabem que a formação cultural e acadêmica envolve uma série de outras questões que ultrapassam os limites físicos da instituição de ensino, e tomam uma atitude inconstitucional e autoritária, digna dos tempos da ditadura, como se isso fosse resolver o problema da violencia e do vandalismo na cidade.
Na minha opinião esta lei é o retrato perfeito da mentalidade retrógrada e provinciana que impera no Noroeste paranaense".
"Me perdoem os reacionários e pseudo-moralistas, mas compartilho da idéia de que o bar próximo à faculdade representa uma extensão da sala de aula.
Durante os quatro anos que passamos no curso de Jornalismo o boteco na esquina da Faculdade Maringá foi tão importante para minha turma quanto o quadro negro e o xerox.
Impossível contar quantas vezes nos reunimos alí. Às vezes antes da aula, às vezes durante a aula, às vezes no intervalo e muitas vezes após a aula.
Naquelas mesas discutimos matérias vistas em sala, criticamos e elogiamos professores, compartilhamos nossa revolta com relação à certas atitudes da direção da faculdade. Discutimos política e religião. Falamos sobre sonhos e dramas pessoais. Manifestamos nossa apreensão com relação ao que encontraríamos pela frente depois da formatura, criamos projetos de trabalho, fizemos novos amigos e pudemos conhecer melhor os colegas com quem estudávamos.
Ninguém, absolutamente ninguém reprovou, deixou de pagar a faculdade ou não se tornou um bom profissional por culpa da cerveja no bar da esquina.
Agora lamentavelmente surgem alguns "legisladores" que provavelmente não passaram por tudo isso e não sabem que a formação cultural e acadêmica envolve uma série de outras questões que ultrapassam os limites físicos da instituição de ensino, e tomam uma atitude inconstitucional e autoritária, digna dos tempos da ditadura, como se isso fosse resolver o problema da violencia e do vandalismo na cidade.
Na minha opinião esta lei é o retrato perfeito da mentalidade retrógrada e provinciana que impera no Noroeste paranaense".
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