sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Perimetral

Leio agora que o processo para liberação do antigo barracão da AGEF está caminhando. A intenção da prefeitura é demolir o imóvel para dar continuidade à avenida Perimetral. Particularmente sou contra esse projeto. Acho que com a construção do contorno essa avenida seria desnecessária, por isso defendo a revitalização daquele espaço e a transformação do barração em uma espécie de encubadora industrial. Mas, se for pra vir a nova avenida, que seja bem vinda. Qualquer coisa que for feita para melhorar aquela área terá o apoio incondicional da população. O que não pode é deixar a situação como está, ou seja, há quase dez anos um abandono total, colocando em risco a segurança das pessoas e desvalorizando uma área privilegiada da cidade.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

E nossa história, como fica?

Hoje passei boa parte dos 40 minutos que costumo chamar de "horário de almoço" vendo fotos e histórias antigas no "Maringá Histórica". Gosto do tema e ao ver esse trabalho me veio o questionamento do que Mandaguari tem feito de concreto para preservar sua história.
Até onde sei, foram publicados apenas dois livros específicos sobre a cidade. São obras importantes, mas superficiais, que se prendem à versão oficial dos fatos e tem uma nítida tendência política.
Além dessas obras pouco foi e tem sido feito. A cidade não tem uma política definida para preservação da história local. Várias edificações antigas foram ao chão, como é o caso da torre do antigo aeroporto. Se nada for feito outras terão o mesmo destino. Também não se ouve falar nada sobre preservar a história do nosso comércio e indústria. Creio que apenas Romagnole e Cocari tenham projetos nessa linha.
Há alguns anos a família do pioneiro Aleixo Leão de Oliveira realizou um extenso trabalho para resgatar uma parte importante da nossa história. Durante meses eles entrevistaram pioneiros que jamais haviam sido lembrados e colheram histórias fascinantes, além de catalogarem centenas de fotos antigas. As informações levantadas dariam um livro fantástico, mas o "Projeto Raízes", com foi chamado, está parado e segundo fiquei sabendo por outras pessoas, faltou apoio para levá-lo a diante.
Na mesma época do projeto raízes a prefeitura montou na praça umas das primeiras casas de madeira constrídas por aqui e anunciou que ela seria levada para um local específico e transformada em uma espécie de museu, mas isso não foi feito. Nesse mesmo período a prefeitura também anunciou a restauração do Edifício Weiss, o primeiro da cidade, mas isso também não foi feito.
Uma grande parte do acervo fotográfico da cidade também pode ter se perdido com o fechamento dos fotos mais antigos como o Elite e o Matsumoto. No ano passado o atual diretor de Cultura, Demis Sastre, ganhou todo o arquivo fotográfico da Gazeta Regional que seria destruído. A intenção é catalogar tudo e guardar para posteridade.
Uma instituição que poderia dar uma grande contribuição no resgate e na preservação da nossa histrória é a Fafiman, que inclusive oferece esse curso, mas além do pequeno museu que ela mantém, não se ouve falar de nenuhum outro projeto.
Sei que trabalhar com história não é fácil. Faltam recursos, tempo, pessoal qualificado e tudo mais. Porém o que não se pode é simplesmente deixar essa questão de lado, empurrá-la com a barriga para que outros a resolvam. Quanto mais tempo demorar para começar um trabalho nessa linha, maior será o risco dos materiais e das informações se perderem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Feriados x Faturamento

No final de semana eu li uma matéria onde "especialistas" afirmavam que o comércio brasileiro deixou de faturar R$ 55 bilhões no ano passado por causa dos 12 feriados nacionais que caíram em dias úteis. Embora economia nunca tenha sido minha praia, discordo totalmente desses dados. O fato do comércio estar fechado em um feriado não significa que as pessoas deixarão de consumir, elas apenas mudarão a data das compras. Quem precisa de um eletrodoméstico, um computador ou um sofá novo vai comprar. Se não for antes, setrá depois do feriado, pois um dia com a loja fechada não irá interferir na necessidade ou no desejo do consumidor.
Por outro lado, os feriados estimulam o consumo de alimentos e bebidas. Basta ir ao supermercado em véspera de feriado para constatar quantas pessoas estão abastecendo a dispensa para preparar aquele prato especial no dia de folga ou para receber os amigos em churrascos onde se comemora até sem motivos.
Outro ponto positivo dos feriados é que eles movimentam o setor de lazer, cultura e turismo e isso, consequentemente puxa o consumo de outros segmentos como vestuário (quem nunca comprou uma roupa nova pra ir a um passeio, evento ou fazer uma viagem?) e segurança entre outros. Resumindo, quem tem dinheiro e quer consumir vai fazer isso com ou sem feriado.

Falta de semancol

O prefeito de Sarandi, Milton Martini (PP), está por um fio de perder o mandato. A cidade está totalmente abandonada, existe uma grande pressão popular pedindo sua saída e em breve ele será julgado por uma comissão processante da Câmara que apura compras irregulares feitas por sua administração. Mesmo assim Martini parece nao se abalar. Prova disso é que ele acaba de mandar para a Câmara um projeto de lei prevendo reajuste no seu próprio salario, no salário do vice e dos secretários municipais. Só falta a lei ser aprovada...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carnaval

Nem ia tocar nesse assunto, até porque já sassou, mas acho que vale o registro: o carnaval 2010 foi o pior de todos os tempos em Mandaguari, e porque não dizer da região. Não estou culpando ninguém por isso. Pra mim o que aconteceu é reflexo de uma mudança cultural e a tendência é que em breve a festa de momo desaparecerá nas cidades do interior.
O que me chamou a atenção é que a noite da segunda-feira de carnaval estava mais parada do que a sexta-feira Santa. Rodei por Mandaguari e Jandaia e nessas duas cidades encontrei apenas dois locais abertos para comer alguma coisa e tomar uma cerveja. Em Jandaia somente o Gulas estava funcionando e aqui apenas a Kita's.
Não que eu pretendesse cair na folia, mas me deu saudade do tempo em que a coisa fervia por aqui no carnaval. Do tempo em que saíamos do clube às cinco da manhã e íamos na Patota comer a canja da Dona Zélia ou então esperávamos a padaria do Clóvis abrir pra comer o pão francês saído do forno com presunto e mussarela e, claro, tomar a saideira antes de ir pra casa dormir até às quatro da tarde pra começar tudo de novo. Eram cinco dias nesse ritmo. Tempo bom que não volta mais.

Boa notícia

Resolução que será tomada em breve pelo Tribunal Superior Eleitoral pode fazer com que o número de deputados do Paraná caia de 30 federais para 29 e 54 estaduais para 53. A redução é pequena, mas ao final de quatro anos os cofres públicos irão economizar uma grana significativa em salários, verbas de representação, regalias e outras coisinhas que esse povo costuma fazer.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Instituto Jesus de Nazaré

Visitei hoje o Instituto Jesus de Nazaré. A entidade, cuja sede fica no Jardim Progresso, atende crianças e adolescentes carentes ou em situação de risco, e é mantida pelas freiras da Congregação São João Batista. Ja tinha ouvido falar do trabalho que elas realizam, mas hoje tive a oportunidade de conversar com uma das responsáveis pelo instituto. Embora no momento em que estive lá nenhuma atividade estivesse sendo desenvolvida, fiquei impressionado com o esforço das freiras e dos voluntários para manter a entidade. Se o poder público olhasse com mais carinho para iniciativas como essa e mais pessoas tivessem essa mesma determinação em prol de uma causa social, em pouco tempo o Brasil teria uma nova cara.

É Brasil minha gente...

O marginal Ezequiel Toledo de Lima, que em 2007, participou do assalto que resultou na morte do garoto João Hélio Fernandes acaba de ganhar um grande presente da Justiça. Apenas para refrescar a memória, estou falando daquele caso ocorrido no Rio de Janeiro em que o garoto ficou preso ao cinto de segurança e foi arrastado por quilômetros durante a fuga dos bandidos.
Na época do crime Ezequiel era menor de idade. Enquanto seus comparsas foram condenados a 39 anos de prisão, o "dimenor" cumpriu uma medida sócio educativa. Agora, ao completar 18 anos, ganhou liberdade. Alegando que o rapaz está ameaçado de morte, um juiz determinou sua inclusão no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente. Com isso, Ezequiel e sua família ganham proteção da Justiça e, apoiados por uma ONG, foram levados para fora do país, onde ganharam casa para morar e novas identidades.
Só mesmo no Brasil pra acontecer uma coisa dessas. Será que algum dia um algum juiz ou alguma ONG se preocupou em visitar os pais da vítima pra ver se eles precisavam de apoio? Será que se a vítma fosse um parente desse juiz ele teria dado esse privilégio ao assassino? Também não dá pra aceitar o fato de uma pessoa matar um criança a sangue frio e por ser "dimenor" sair praticamente impune.
Recentemente num outro caso, se não me engano em São Paulo, um bandidinho saiu com sua gangue para comemorar o aniversário de 18 anos, que seria no dia seguinte. Durante um assalto para arrumar dinheiro para comprar drogas, ele tirou a vida de um rapaz. Como no momento do crime faltavam poucos minutos para a meia noite, a Justiça entendeu que ele não poderia ser condenado, por isso recebeu a tal "medida sócioeducativa".
Na minha opinião já passou da hora dos nossos nobres parlamentares esquecerem um pouco a corretagem de verbas públicas e votarem com urgência a redução da maioridade penal, caso contrário muitos João Hélios perderão a vida e milhões de Ezequieis continuarão roubando e matando e saindo impunes, zombando na cara da sociedade.

Mandaguari Online

Apesar de não contar com nenhum profissional de jornalismo, o site Mandaguari Online vem dando um show de eficiência e imparcialidade na cobertura dos principais fatos que acontecem na cidade, principalmente no setor policial. Há um bom tempo tornou-se leitura obrigatória pra muitos moradores e ex-moradores que querem se manter por dentro dos acontecimentos da city.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Decoração com prazo de validade vencido


Acabou o carnaval, os supermercados já estão focados nas vendas de bacalhau e ovos de páscoa, mas em Mandaguari os enfeites de natal ainda continuam decorando a avenida.
ATUALIZADO 18/02 - 12h25
Hoje de manhã funcionários da Prefeitura trabalhavam na retirada dos enfeites.

Perguntinha

Por quê será que no mensalão do PT não tivemos a mesma agilidade pra punir os corruptos como estamos vendo agora no caso do mensalão do DEM, em Brasília?????

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Matando o português (e o jornalismo)

Tá certo que a língua portuguesa é extremamente difícil, e se tornou ainda mais complexa depois da última reforma ortográfica. Eu mesmo volta e meia cometo alguns deslizes que depois me deixam envergonhado. Mas o que eu vi hoje em um jornal aqui da região foi uma verdadeira aberração. Pra começo de conversa o jornal não apresenta expediente e fornece um endereço de blog como sendo seu site. Nada de expediente com informações sobre razão social e localização da empresa, jornalista responsável, tiragem, etc. Mas isso ainda não é nada. O duro foi ler uma "matéria" de meia página sobre determinada prefeitura, onde claro, tinha a foto do prefeito. O texto não era assinado, foi escrito em primeira pessoa e a linguagem utilizada parecia mais com a de um relatório administrativo. Pelo menos publicaram cercado, o que indica que se tratava de uma publicação paga. Mas não é tudo. O segundo parágrafo era composto por uma única frase que continha "apenas" 101 palavras separadas, às vezes, por algumas vírgulas aplicadas de forma totalmente errada. Nessas horas a gente desanima da profissão. Não sei o que é pior, assessor de imprensa receber para produzir um lixo desses, ou o jornal aceitar publicar esse tipo de material . Não quero nem pensar na possibilidade de existir leitores que acreditam nesse tipo de publicação, porque aí vou acabar me enforcando num pé de cebolinha.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sepultando a intelectualidade

Nos últimos dias a mídia regional publicou vários artigos e reportagens sobre o ex-prefeito de Maringá, Adriano Valente, que morreu recentemente vítima de câncer. Quase todos os que escreveram ou falaram sobre ele destacaram sua notável formação intelectual e humanística, em boa parte conquistada por meio das inúmeras leituras em sua biblioteca, considerada por muitos um verdadeiro tesouro.
Depois de ler as publicações em torno do ex-prefeito maringaense passei a refletir sobre quantas pessoas hoje em dia chegarão a esse nível de intelectualidade. Aqui em Mandaguari posso destacar algumas personalidades cujas características se assemelham à Adriano Valente. O advogado Waldemar Ferraz de Camargo, homenageado com o nome do recém inaugurado Fórum Eleitoral da Comarca, foi uma dessas pessoas. Embora tenha o conhecido apenas jogando sinuca aos sábados no bar ao lado da minha casa, sei que Dr. Waldemar era um estudioso incansável e exímio conhecedor do Direito. Ainda temos outros intelecutais mandaguarienses vivos, mas para não ser injusto ao esquecer de alguém prefiro não nominá-los.
O fato é que pessoas como essas estão em extinção, se é que posso usar esse termo. Se analisarmos os jovens com idade até 30 anos uma parcela ínfima se preocupa em ler um bom livro. Entre os adolescentes então a situação é ainda mais desanimadora. Dão enorme importância para coisas fúteis e se esquecem de alimentar o cérebro. Pior, não se preocupam nem em procurar saber o que está acontecendo à sua volta. Pra eles é mais simples usar o msn pra marcar um passeio no shopping com a galera, em seguida comer um fast food e depois curtir um sertanejo universitário na balada. Enquanto isso a intelectualidade vai sendo sepultada com as pessoas ou com os livros que empoeiram nas estantes por falta de leitores.